Escola Jaime Cortesão (5)
Jaime Cortesão, um Nome e um Exemplo
Ançã (1884) – Lisboa (1960)

1. Feliz a hora em que, no calor perfumado da Revolução de Abril, os professores da Escola decidiram baptizá-la com o nome insigne de Jaime Cortesão, em substituição do de Sidónio Pais, colocando-se, assim, sob a égide do seu magistério cívico e cultural, genuinamente democrático, humanista e português.
Foi, antes de mais, um gesto histórico de profundo significado simbólico, que marca uma ruptura com o passado e rasga as avenidas do futuro. De facto, o nome de Sidónio Pais (Coimbra, 1872 – Lisboa, 1918), figura controversa em extremo, está associado ao autoritarismo conservador, antidemocrático, messiânico e já pré-fascizante. Com ele se prende estreitamente o regime salazarista, de triste e funesta memória.
Jaime Cortesão era o contrário de tudo isto. Homem que aliava a força de carácter e das convicções à defesa intransigente da democracia, acreditava profundamente nos homens e na liberdade, identificando-se plenamente com os valores progressistas de um Portugal novo, finalmente levantado do chão pela reconquista de uma cidadania pela qual sempre se bateu.
Considero, pois, divinamente inspirada a ideia de dar à nossa Escola o nome de um ilustre professor, uma das figuras mais proeminentes da cultura do séc. XX e, além disso, irradiando um calor humano e uma bondade que a todos encantava. (Fernando Namora)
2. Mas quem foi este homem tão admirado por uns e perseguido e odiado por outros?
Apenas uns dados fundamentais: nasceu em Ançã em 1884, estudou em Coimbra, mas foi novo para o Porto. O ideal republicano e democrático que muito cedo abraçou, levou-o à cidade invicta, onde com outros espíritos semelhantes ao seu, combateu pelo triunfo da causa da República, por ela sofrendo a primeira prisão.
Entretanto, a sua alma de poeta desentranhava em versos de rara beleza. Publica, então, no círculo do movimento da Renascença Portuguesa (1912), de que foi co-fundador, vários livros de poesia, de que destaco apenas Glória Humilde (1914) em que aparece o verso emblemático de toda a sua vida: “Eu canto o meu Amor e a minha Terra”. Entusiasmado com a criatividade poética do Povo, organizou o Cancioneiro Popular e Cantigas do Povo para as escolas, obras integradas já no programa pedagógico e cultural da República e que tem em Jaime Cortesão um dos principais animadores. Era mister aproximar a instrução e a cultura, básica, média e superior, das camadas desprotegidas do Povo, de modo a fazer dele o protagonista da sua História. Nasceram, então, (1912) em várias cidades, as Universidades Livres e Populares, as quais, além das outras iniciativas, organizaram cursos especiais nocturnos para a actividade comercial e que, no ano de 1913/14, foram frequentados por 252 pessoas.
Havia disciplinas como “Higiene Infantil”, “Electricidade”, Química”, Contabilidade”, Escrituração Comercial”, e até a Língua Russa… As lições de “História” e “Literatura” eram dadas gratuitamente por Jaime Cortesão, que, entretanto, abandonara o exercício da medicina para se dedicar exclusivamente ao magistério no Liceu.
Esse desejo de difundir cultura e saber não o abandonou nos anos em que foi Director da Biblioteca Nacional, (1919-1972), onde reuniu um escol de intelectuais, responsável pela revista Seara Nova (1921), que depressa se tornou num instrumento de renovação das ideias políticas, artísticas e culturais na sociedade portuguesa. Data de 1921 o principio da publicação das suas Cartas à Mocidade, e que são uma admirável síntese pedagógica de lições de amor à Pátria e à Cultura e de estímulo ao desenvolvimento dos autênticos valores cívicos e morais.
Como historiador, Jaime Cortesão conquistou o respeito e o louvor da comunidade cientifica, pelo rigor objectivo da investigação, pela interpretação criativa dos factos e documentos e pela elegância da sua expressão verbal. Fez da investigação histórica a que se dedicou com alma e paixão, uma lição de civismo – diz-nos Urbano Tavares Rodrigues. Quis mostrar às potências europeias que Portugal, enxovalhado pelo Ultimato Inglês de 1890, protagonizou uma das aventuras épicas mais determinantes da História da Humanidade – a aventura do conhecimento, descobrindo os mundos desconhecidos, encobertos pelo mistério e ignorância.
E daí nasceram os volumes sobre Descobrimentos Portugueses (sécs. XIV-XV-XVI) que traçam num tom objectivo e exaltante, a epopeia dos lusos no mar, e os volumes consagrados ao movimento pioneiro e heróico das “Bandeiras” (sécs. XVII e XVIII) que enaltecem no mesmo tom documentado e rigoroso a epopeia dos portugueses nos sertões do Brasil.
Perpassam, nestes textos, como notou F. Piteira Santos, “o colorido de Fernão Lopes, a solene dignidade de um Herculano e os fulgores cintilantes de um Oliveira Martins”.
3. Finalmente, um combatente pela liberdade. Homem de gabinete e de arquivo, mas também de acção na rua e em campo aberto, pugnou sempre pela democracia, que considerava a mola real da História, e só tinha por inimigos os inimigos da liberdade. Que o prenderam e exilaram. Sem dó nem piedade.
Preso na Penitenciária de Coimbra às ordens de Sidónio, (1918) quando ainda convalescente de uma doença grave, apanhada na frente de batalha (Grande Guerra, 14-18); fugindo para Espanha, depois do movimento revolucionário em que participara (Fev. 1927) contra a ditadura; conspirando com outros exilados contra o poder instalado em Portugal, cada vez mais amordaçado; nova fuga para França, durante o bombardeamento de Barcelona pela aviação de Franco, em que, ao lado da sua esposa, de igual estirpe heróica, e de outros refugiados, atravessa a pé os Pirinéus cobertos de neve, carregando a mala dos manuscritos, mas perdendo grande parte dos ficheiros, anos de trabalho enterrados no gelo.
Depois, o regresso a Portugal, em 1940, e nova prisão em Peniche, onde dá lições de História aos presos; e, finalmente, a expulsão para o Brasil, com um passaporte manchado com a vergonhosa designação de “banido”. São 17 longos anos de ausência e saudade, longe da Pátria que servira e tanto amava!
Torna ao “ninho seu paterno” em 1957 e as amarguras não acabam! Lá estava ainda o ditador de garras afiadas! Que, em 1958, o manda de novo prender. Tinha Jaime Cortesão 74 anos de idade! Fez-se alarido e gritaria no mundo culto e civilizado contra tão ignóbil injustiça. Liberto, passou ainda dois anos de estudo e paixão pela sua querida História de Portugal.
Em Agosto de 1960, sucumbindo à doença, deixa este mundo um homem bom e generoso, que a posterioridade haveria de consagrar como um herói do saber e um mártir da liberdade. Que o seu exemplo viva e frutifique!
Coimbra, Janeiro de 1999
João de Oliveira Lopes
Prof. da Escola Secundária de Jaime Cortesão
História do Edifício - Introdução
Apesar de se tratar de um dos Estabelecimentos de Ensino mais recentes de Coimbra, a Escola Secundária de Jaime Cortesão, assim designada no ano lectivo de 1977/78, encontra-se instalada num imóvel cuja fundação remonta à primeira metade do século XVII.
Como é óbvio, são grandes os inconvenientes daqui resultantes para a vida escolar, os principais dos quais se traduzem na escassez e na inadequação de alguns espaços que tiveram de ser adaptados a novas funções. No entanto, certo é que deve valorizar-se o interesse histórico e patrimonial de uma construção multissecular com características específicas que contribuem para a individualização da Jaime Cortesão face às outras Escolas da cidade.
No decurso da sua já muito longa existência de 370 anos, na qual podemos considerar quatro fases distintas, este edifício pertenceu a diferentes instituições e desempenhou papéis bastante diversificados, como aqui procuramos comprovar.
1ª fase (1633 - 1834)
Durante a primeira fase da sua vida, que se prolongou de 1633 a 1834, o imóvel integrou-se no complexo do Mosteiro de Santa Cruz, prestigiosa e poderosa instituição monacal fundada na primeira metade do século XII que, desde os primórdios da nacionalidade portuguesa, deu um valioso contributo para o prestígio intelectual de Coimbra muito antes de a Universidade ter vindo instalar-se definitivamente na capital do Mondego.
O seu primeiro destino foi servir de Enfermaria dos Frades, e, possivelmente, a todas as pessoas que a ela recorressem, situação normal numa época em que cabiam às instituições eclesiásticas importantes responsabilidades no que se prendia com a assistência dos doentes.
Ainda no tempo dos cónegos regrantes de Santo Agostinho, novas funções se atribuíram a este edifício que foi, também, Biblioteca, Residência do Abade, Hospedaria e Dormitório do Mosteiro, designação pelo qual era conhecido em 1834, ano em que terminou a guerra civil que consagrou a vitória definitiva das forças liberais em Portugal.
2ª fase (1834 - 1923)
Foi precisamente em 1834 que se iniciou o segundo período da história do imóvel que, na época, contava já com cerca de dois séculos de vida. Nesta data o Ministro liberal Joaquim António de Aguiar, também conhecido pela popular alcunha de “O Mata-Frades”, decretou a extinção das ordens religiosas em Portugal e a nacionalização dos respectivos bens.
Significou isto que os crúzios deixaram de existir legalmente no nosso país, tendo passado para a posse do Estado o seu vasto património, no qual se incluía a casa onde, actualmente, funciona a Escola Secundária de Jaime Cortesão.
Em 1848, depois de algumas hesitações, a Câmara Municipal de Coimbra, a nova proprietária, deliberou utilizar o antigo Dormitório do Mosteiro de Santa Cruz para instalar as crianças enjeitadas, ficando aqui instalada a Roda dos Expostos.
Alguns anos mais tarde, em 1872, a Roda dos Expostos foi extinta ou antes, foi rebaptizada, surgindo no mesmo local o Hospício dos Abandonados.
Já depois da implantação da República, em Fevereiro de 1911, foi extinto o Hospício em que se transformara a Roda e criou-se, por Decreto Governamental, uma Maternidade que teria como incumbência acolher as crianças de tenra idade, proporcionando-lhes, gratuitamente, leite e medicamentos.
Portanto, em 1911, a velha construção seiscentista passou a ser utilizada como Maternidade, transferindo-se a sua tutela para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
3ª fase (1923 - 1958)
Em 1923 começou uma nova era para o velho Dormitório Fradesco, embora a sua vocação humanística se mantivesse: deixou de ser uma Maternidade/Creche, onde se cuidava do bem-estar dos seus pequenos utentes, para se transformar numa Escola onde se proporcionava formação intelectual e pessoal aos alunos que a frequentavam.
O Estabelecimento de Ensino que veio instalar-se neste edifício foi a Escola Industrial de Avelar Brotero, cujas dependências, situadas junto do claustro do Jardim da Manga, haviam sido destruídas por um incêndio de grandes proporções em Janeiro de 1917.
Entre este ano e 1923, a Avelar Brotero conheceu um período difícil, porque a distância a que ficavam as oficinas (que permaneceram no Jardim da Manga, em barracões provisórios) dos restantes serviços da Escola (instalados, temporariamente, na Casa das Obras Públicas) se reflectiu negativamente no rendimento dos alunos e na própria frequência, que registou uma sensível diminuição.
Para ultrapassar estas dificuldades que atingiam uma prestigiada instituição de ensino de Coimbra, o Governo determinou em Abril de 1923 que a Escola de Avelar Brotero passasse a ocupar o edifício da Maternidade, enquanto esta era transferida para a Casa das Obras Públicas, localizada no terreno onde hoje se ergue a sede da Associação Académica.
Juntamente com a Avelar Brotero foi também transferido para o antigo Dormitório de Santa Cruz o Instituto Industrial e Comercial de Coimbra, tendo as instalações sido partilhadas entre estas duas instituições, a Creche e a 2ª Esquadra da Polícia de Segurança Pública.
A extinção do Instituto Industrial e Comercial de Coimbra, ocorrida em 1926, permitiu a expansão da Escola e, após várias diligências levadas a cabo pela sua Direcção, foi afastada, ainda em 1926, a Esquadra da Polícia.
Finalmente em 1932 foram entregues as dependências ocupadas pela Creche e, desta forma, pôde a Avelar Brotero alargar o seu espaço e instalar condignamente oficinas e outros serviços.
A Escola Industrial e Comercial Brotero ficará neste edifício até 1958, ano em que muda para as novas instalações, situadas no Calhabé, uma vez que o velho edifício já se revelava insuficiente face ao número crescente de alunos que frequentavam a Escola Brotero.
4ª fase (de 1968/69 aos nossos dias)
A transferência da Avelar Brotero para o Calhabé não implicou o total abandono da sua antiga sede: no ano lectivo de 1968/69, a Escola Industrial e Comercial Brotero volta às velhas instalações, nelas instalando uma Secção que ministrava apenas o Curso Comercial, a chamada Secção da Baixa.
Mais tarde, a 1 de Janeiro de 1972, o edifício passou a ser ocupado por uma nova Escola, entretanto criada, a Escola Técnica de Sidónio Pais, criada pelo Decreto-lei nº 457/71 de 28/10.
Já depois do 25 de Abril de 1974, o Decreto-lei nº 417/76 altera a designação de Escola Técnica de Sidónio Pais para Escola Técnica de Jaime Cortesão, alteração aprovada em Assembleia Geral de Professores.
O decreto-lei nº 80/78, de 27/04, muda a designação de todos os estabelecimentos do ensino secundário, que passam a ter a designação genérica de "Escolas Secundárias". Deste modo a Escola Técnica de Jaime Cortesão passa a ser designada por Escola Secundária de Jaime Cortesão, que continua a dar vida à vetusta construção e cuja história se procura dar a conhecer através destas breves linhas.
Na actualidade, o edifício continua a abrigar a Escola Secundária de Jaime Cortesão, tendo sido em 2002 "devolvida" à Escola a Cantina da Polícia, que durante vários anos funcionou no rés-do-chão
Ano letivo 2016/17
Almoçar no refeitório da nossa escola é uma saborosa experiência .
Uma refeição garantidamente equilibrada e cuidadosamente elaborada é diariamente servida a várias centenas de alunos, professores e funcionários.
Aqui podem encontrar-se, lado a lado, uma alimentação saudável e um preço imbatível. Antecipando a semana, pode conhecer as refeições disponibilizadas no refeitório, efetuando o download da ementa aqui ou descarregando o anexo em baixo.
Não resistimos também a apresentar um documento com conselhos muito interessantes e práticos para conseguirmos realizar em nossas casas uma alimentação saudável e equilibrada. Com a devida vénia à Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto -FCNAUP, e aos autores (Bela Franchini, Cláudia Afonso, Patrícia Padrão, Cecília Morais, Maria Daniel Vaz de Almeida), que deram à estampa o título "Alimentação em Tempos de Gripe".
|
Serviço |
Manhã |
Tarde |
Noite |
|
Reprografia |
8h30 às 12h30 |
13h30 às 17h45 |
18h45 às 20h20
20h50 às 21h50
|
|
Mediateca |
9h30 às 16h30 |
19h00 às 22h30 |
|
|
Biblioteca |
8h30 às 16h30 |
19h00 às 22h30 |
|
|
Bar |
8h30 às 17h30 |
18h30 às 22h30 |
|
|
Refeitório |
12h15 às 13h45 |
||
